Diarréia do Viajante

 

É o problema mais frequente e acomete cerca de 30 a 70% dos viajantes, dependendo do destino.  Pode-se evitar, na maioria das vezes através de simples orientações.  Condições de higiene e saneamento local, principalmente onde são realizadas as refeições são os principais fatores determinantes. 

Bactérias: os principais vilões 
Bactérias intestinais são mais comuns, principalmente a E. coli enterotoxigênica, o Campilobacter, a Shigella e a Salmonella.  A febre tifoide, causada pela  Salmonella tiphy é muito grave e exige vacinação a quem se dirige para regiões endêmicas. 

Outros agentes
Protozoários: como Giardia e ameba . 
Toxinas, presentes em água e alimentos também causam diarreia e vômitos, mas neste caso, os sintomas se resolvem, em média, após 12 horas.

Vírus: norovirus, rotavirus e astrovirus.

Áreas de risco para Diarréia do Viajante

  • Baixo risco: Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Japão e países  do Norte e Oeste europeus.
  • Risco Intermediário: Leste Europeu, África do Sul e algumas ilhas do Caribe
  • Áreas de alto risco: Ásia, países do Oriente Médio, África, México, América Central e América do Sul.
     

Grupos de Viajantes com maior predisposição
Adultos jovens e idosos são os mais propícios e podem apresentar outros episódios futuros. Mais de um episódio podem ocorrer em uma única viagem e fatores climáticos podem aumentar o risco. No Sudeste Asiático, por exemplo, durante o período de monções, são comuns os ataques de diarreia do viajante. 
Locais com maior número de pessoas aumentam o contagio, principalmente se não se der importância à higiene ambiental e pessoal por staffs de restaurantes, que muitas vezes têm caráter cultural em certos destinos.

Em média, o tempo de duração de uma diarreia bacteriana vai de 02-05 dias, se não houver complicações, mas pode permanecer por meses, se for uma giardíase ou amebíase, contaminando o meio ambiente do país de origem quando o viajante infectado retornar.

Sequelas: alguns pacientes podem ter complicações como artrites e alterações neurológicas (polirradiculoneurite).

Prevenindo a Diarréia do Viajante
Aqueles que se dirigem às áreas de alto-risco devem receber instruções sobre a utilização de água e alimentos, se necessário ter a prescrição de antibióticos, pastilhas para esterilização da água e outros medicamentos preventivos. Álcool gel A 70 % para a higienização das mãos antes de comer.

  • Avaliar a procedência da água (mineral, engarrafada) e outras bebidas.
  • Evitar alimentos que não tenham sido bem cozidos e preparados pouco antes de servir.
  • Não usar cubos de gelo nas bebidas
  • Ingerir verduras e legumes cozidos e não crus que sejam preparados em hotéis e restaurantes com referência.
  • Na impossibilidade de água engarrafada, ferver a água de consumo por 10 minutos após iniciar a fervura e acrescentar pastilhas de cloro ou iodo.
  • Procurar não comer em vendedores ambulantes dando preferência pelo restaurante do Hotel onde estiver hospedado.

Medicamentos preventivos a base de antibióticos ou antiparasitários devem ter prescrição médica e não deve ocorrer a automedicação. Quando se contrai a doença aguda ou crônica, é necessário procurar serviço médico onde estiver.

 

BIBLIOGRAFIA

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