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Pais e mães: Dúvidas comuns sobre vacinas

P: Meu filho está em dia com as vacinas. Ele precisa participar de campanhas da pólio para se proteger?
R: A Organização Mundial de Saúde, desde 1990, reconhece a erradicação da póliomielite selvagem no Brasil, ou seja, o vírus selvagem da pólio não prevalece mais em nosso meio ambiente e o risco de contaminar água e alimentos passou a ser praticamente nula.
Para todas as regiões do planeta, que concretizaram a erradicação, a vacina VIP (vacina inativada contra pólio, de uso injetável e composta de vírus mortos) é recomendada para todas as crianças, sempre que possível, independente da idade. Isso porque, a vacina oral contra pólio, conhecida como gotinha ou VOP, por ser composta de vírus vívos, pode determinar paralisia vacinal, principalmente em crianças menores de 15 meses e também adultos que tenham contato com as fezes dessas crianças vacinadas. 

A VOP (gotinha), quando administrada em crianças, pode transcorrer com esse efeito colateral severo, pois os vírus vacinais podem sofrer um processo de reversão genética, readquirindo a capacidade de infectar, em vez de proteger. Crianças vacinadas têm a replicação viral em seu trato gastrointestinal e eliminam os vírus vacinais por até 4 semanas após a vacinação. Ao cair no meio ambiente, vírus vacinais irão competir com os vírus selvagens , eliminando-os do mesmo. Isso é erradicação: a eliminação do vírus selvagem da pólio do meio ambiente.

A paralisia vacinal é rara, mas tem ocorrido cada vez mais frequente em regiões onde  a VOP é utilizada de rotina. 

No Brasil, todas as crianças menores de 6 meses (na rede pública) e de todas as faixas etárias (na rede privada), têm padronizada a vacina VIP (de vírus mortos ou inaticvada), muito eficaz e mais segura, pois não causa paralizia vacinal e estimula a produção de anticorpos de forma eficaz contra pólio.

Mas Por que ainda são feitas campanhas nacionas com a gotinha?

O Brasil tem dado asilo político a imigrantes que vêm de regiões de conflitos, com risco de trazerem  víirus selvagens da pólio e novamente contaminarem nosso meio ambiente, por isso, ainda é importante que ainda haja campanhas, para que, crianças vacinadas para continuem eliminando no meio ambiente vírus vacinais, que impeçam o retorno dos vírus selvagens.

Mas, crianças que estão em dia com a vacina VIP, presente nas vacinas pentavalente, hexavalente e tetravalente, não necessitam de campanhas da pólio para se proteger, principalmente as menores de 15 meses, pois têm maior risco de desenvolverem pólio vacinal, caso recebam a gotinha.
As campanhas existem para atualizar as carteiras de vacinação e evitar que a erradicação se desfaça.

Referências:

1. https://familia.sbim.org.br/vacinas/vacinas-disponiveis/vacinas-poliomielite

2.  
An epidemiological analysis of Acute Flaccid Paralysis (AFP) surveillance in Kenya, 2016 to 2018.

Tesfaye, BrookSowe, AlieuKisangau, NginaOgange, JohnNtoburi, StephenNekar, IreneMuitherero, CharlesCamara, YayaGathenji, CarolyneLangat, DanielSergon, KibetLimo, HilaryNzunza, RosemaryKiptoon, ShemKareko, DavidOnuekwusi, Iheoma.

BMC Infect Dis ; 20(1): 611, 2020 Aug 18.

3. 
The case for replacing live oral polio vaccine with inactivated vaccine in the Americas.

Alfaro-Murillo, Jorge AÁvila-Agüero, Marí LFitzpatrick, Meagan CCrystal, Caroline JFalleiros-Arlant, Luiza-HelenaGalvani, Alison P.

Lancet ; 395(10230): 1163-1166, 2020 04 04.

4. 
Preventing paralytic polio caused by vaccine-derived poliovirus type 2.

Franco-Paredes, CarlosSantos-Preciado, Jose IHenao-Martinez, Andres FRodriguez-Morales, Alfonso JCarrasco, Peter.

Lancet Infect Dis ; 20(1): 21-22, 2020 01.

5. https://www.newindianexpress.com/nation/2019/oct/23/oral-polio-vaccine-causing-paralysis-in-kids-study-2051670.html

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P: Meu filho nunca teve reação de vacinas. Quando tomou a vacina dos 4 anos, desenvolveu vermelhidão e inchaço próximo ao local de aplicação. Será que houve contaminação na hora da aplicação?
A vacina dos 4 anos dá reação local?


R: Não se trata de contaminação local.
Aos 4 anos, o sistema imunológico infantil está mais maduro e tem a capacidade de produzir anticorpos de memória. Esses anticorpos podem reagir com os antígenos da vacina (principalmente com a vacina do tétano), no local da aplicação, onde ocorre uma reação antígeno X anticorpo (Reação de Arthus), com aparecimento de inchaço, vermelhidão, dor ou coceira no local. Essa reação não ocorre comumente nas vacinas anteriores por causa da imaturidade do sistema imunológico. 
Pessoas, menos informadas, pensam, erroneamente, que se trata de abscesso (celulite) bacteriano, mas isso não procede. 
Essa reação, na maioria das vezes é leve e desaparece após alguns dias.
Na clínica de Vacinas imunity, a pediatra responsável técnica acompanha todas as crianças que recebem a vacina dos 4 anos, e quando necessário, trata essa reação comum e sem complicações.

 

 

P:Por que meu bebê tem de receber mais doses da vacina, quanto mais novo ele for? Posso esperar e iniciar as vacinações mais tarde?

 

R: O desenvolvimento do sistema imunológico do bebê ocorre lentamente.

Até 02 anos de idade, ele ainda não têm a capacidade plena de estabelecer imunidade de memória. Nessa faixa etária, os anticorpos produzidos pelo seu sistema imunológico desencadeiam proteção de curto prazo. Isso quer dizer que, para que tenha proteção mais duradoura e eficaz, precisa de mais doses vacinais

 

Menores de 06 meses de idade são os que apresentam menor capacidade de produzir anticorpos duradouros. Quando são vacinados, a proteção dura, em média, para cada dose, em torno de 02 meses, quando há necessidade de receberem uma próxima dose. Se isso não ocorrer, perdem totalmente a proteção estabelecida pelas doses anteriores, e ficam suscetíveis a desenvolver infecções graves, causadas por bactérias capsuladas.

 

Se atrasarmos as primeiras doses, arriscamos a vida destes bebês pois se encontram em uma faixa de maior risco para tais doenças.

 

Exemplos de doenças graves são a meningite meningocócica B, a coqueluche, as pneumonias, além de outras, e, para que a proteção possa ocorrer, as vacinações devem ser iniciadas entre 02 e 03 meses de idade. Necessitam 03 doses antes de 01 ano e um reforço após esta data.

 

P: Devemos sempre administrar antitérmicos em nosso bebê 1/2 hora antes das vacinas?

R: Não há necessidade. A maior parte das vacinas atuais não causa febre ou dor. Além do mais, para que a produção de anticorpos ocorra plenamente, quanto menos medicamento, melhor. Algumas vacinas, como a meningocócica B, todavia, desencadeiam uma resposta imunológica muito efetiva, com produção de anticorpos que ocorre mais rapidamente, podendo transcorrer com febre e dor local. Nesse caso, o médico responsável técnico pela clínica de vacinas deve orientar e prescrever o antitérmico mais adequado, além de acompanhar as primeiras 24 a 48 horas pós vacinação. A reação não é grave, mas para conforto do bebê, o médico deve sempre acompanhar e tratar. Sempre é importante enfatizar que reações vacinais, quando ocorrem, geralmente são leves. Deixar de vacinar sim, pode acarretar infecções severas e que podem deixar sequelas perenes e a té a morte.
Na clínica de Vacinas imunity
®, todas as vacinações são acompanhadas pela médica responsável técnica, Dra. Maria do Carmo Duarte Oliveira.

 

P: O que se pode fazer para aliviar a dor local por vacinas?

R: O ideal é ter um médico prescritor, que lhe oriente e forneça uma receita com as medidas e medicamentos para a dor decorrente de vacinas, como acontece na Clínica de Vacinas imunity®

, mas aplicar compressas de gelo no local, umas duas a três vezes ao dia ajuda bastante. O uso de antitérmicos e analgésicos deve ser orientado pelo médico responsável pela imunização. Não é recomendável usar pomadas ou cremes de uso tópico.
A utilização de gel anestésico local, antes da aplicação de vacinas não tem comprovação científica e durante a pandemia de Covid-19 devem ser evitados equipamentos que relaxam a musciulatura ou de realidade virtual. Existem várias pesquisas que comprovam que, amamentar durante a aplicação de vacinas pode diminuir a dor. 
A vacinação simultânea de duas vacinas também pode baixar o limiar da dor, pois o sistema nervoso entende como se fose uma única aplicação. Na Clínica de Vacinas imunity
®

somos especializados em vacinação simultânea.

 

P: Qual a diferença entre as vacinas DPT e DPTa?

R: Ambas as vacinas previnem a difteria, a coqueluche (pertussis) e o tétano, e a diferença se refere ao componente coqueluche. 

Vacina DPT
A vacina DPT possui a bactéria da coqueluche em sua composição (Bordetella pertusis) cujos antígenos têm tropismo para o sistema nervoso central, podendo acarretar reação moderada a severa de 8 a 12% dos bebês vacinados, como febre moderada a grave, dor intensa no corpinho, na cabeça e  no local da aplicação, além de irritabilidade intensa, podendo até convulsionar.
A DPT também faz parte da vacina Penta, utilizada na rede pública, para bebês de 02, 04, 06, 15 meses e crianças com 4 anos de idade.

Vacina DPTa
Nessa apresentação, a bactéria da coqueluche está ausente e por isso é mais segura, não acarretando febre,  dor no corpo  ou de cabeça. Ë padronizada nas clínicas de vacinas da rede privada e faz parte das vacinas Hexa ( 02 e 06 meses de idade) e penta (04 meses e 15 meses de idade) para os bebês,  com 04 e 10 anos para crianças, além de adolescentes (15 anos) e adultos e idosos, a cada 10 anos 

 

Tanto a DPT quanto a DPTa podem evoluir com dor local em uma minoria dos vacinados, resultdo de uma resposta do sistema imunológico aos antígenos da vacina do tétano (reação de imunocomplexo), que pode ser tratado pelo médico responsável pela vacinação.


Dra. Maria do Carmo Duarte Oliveira
Pediatra e responsável Técnica pela Clínica de Vacinas imunity®