Vamos, juntos combater a Coqueluche! 

 

Saiba sobre a
ESTRATÉGIA COCOON
Iniciativa apoiada pela Organização Mundial de Saúde para o controle da COQUELUCHE no planeta
 

Na Europa, pais dedicam à vacina de coqueluche a vitória de seus filhos

 

Gary Finnegan, Setembro, 2013

 

Foi um longo caminho de luta contra a coqueluche para Danny Darche e sua família, cidadãos belgas que, após três anos de muito esforço, finalmente conseguiram uma importante mudança na s indicações da vacina contra coqueluche.

 

Os Sr. E Sra. DarcheIn, em 2010, perderam sua filha Lore, que desenvolveu coqueluche aos 83 dias de vida. Desde então, iniciaram uma intensa, por toda Europa, para a mudança da vacinação contra coqueluche e o policiamento de novos casos da doença na Bélgica.

 

Atualmente, a conscientização para a prevenção da coqueluche é de caráter mundial, com o aval da Organização Mundial de Saúde – OMS, que recomenda a vacinação, não somente da criança, mas também de todas as pessoas que têm contato doméstico ou não, com a mesma.

A gestante, quando se vacina após 27 semanas de gestação, protege seu bebê até que ele receba a primeira dose da vacina, aos 2 meses de idade.

O centro desta campanha da OMS, recebeu o nome de Estratégia Cocoon – de prevenção da coqueluche que envolve a vacinação dos pais, irmãos, avós, cuidadores, funcionários domésticos e outros, para a proteção do bebê desde o nascimento.

Mesmo adultos que já tiveram coqueluche na infância devem receber um reforço da vacina, atualmente.

A bactéria Bordetella pertusis, agende causador da coqueluche, sofreu mecanismos adaptativos que a tornaram novamente agressiva. Se vacinarmos somente bebês, essa proteção será incompleta, por isso, a OMS recomenda a abrangência da vacina a todos os que convivem com a mesma, para completar a proteção de todos, mas principalmente do bebê.

A tosse comprida ou coqueluche, é muito pouco investigada em adultos e estes são importantes reservas da bactéria B pertusis, tornando-se potencialmente transmissores da doença para recém-nascidos e bebês de tenra idade. Muitos adultos desenvolvem coqueluche, mas a doença é sub diagnosticada na maioria das vezes. São casos de tosse persistente, sem febre, que perdura por meses e com diagnósticos errôneos ou mesmo sem se chegar a diagnóstico algum. Esse tempo desencadeia uma rede de transmissão da bactéria a bebês, crianças com imunodeficiência, mesmo antes de serem vacinados, podendo levar à morte pela doença.

Um estudo desenvolvido por Torza, na Europa, publicado em 2017, demonstrou que, aproximadamente 85% dos adultos estudados nunca tiveram coqueluche ou nem mesmo foram vacinados contra a doença na infância, pois foram soronegativos e por isso susceptíveis à desenvolver a infecção e transmitir a outro adultos e crianças. Cerca de 1% tinham níveis de anticorpos IgG indicativos de que desenvolveram a doença e potencialmente transmitiram a bebês e crianças pequenas. A vacinação de adulto contra coqueluche desencadeia uma proteção indireta, que completa a proteção desencadeada pela vacinação de bebês.

No Brasil, é fundamental a adesão à Estratéria Coccon, para a proteção completa de nossas crianças. A vacinação contra tétano, difteria e coqueluche, de gestantes, a partir de 27 semanas de gestação já está sendo indicada, na rede pública e na rede privada, mas ainda há muito caminho para percorrer, através da conscientização da população quanto à vacinação de todos as pessoas que convivem ou irão conviver com bebês, pois são os principais carreadores da doença.

A Estratégia Coccon deve abranger ginecologistas e obstetras, neonatologistas, enfermeiros, pediatras, professores de escolas infantis, berçários, empresas que prestam serviços de cuidados para bebês, creches, maternidades.

 

Dra. Maria do Carmo Duarte Oliveira
Pediatra – responsável Técnica – Clínica imunity

 

 

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