O Viajante e as Altas Altitudes

O stress resultante das altas altitudes pode incomodar o viajante e é causado pelo frio, a baixa humidade do ar, o aumento da radiação ultravioleta e a diminuição da pressão atmosférica. O ar é mais rarefeito e há necessidade de maior esforço para oxigenar os tecidos. Quanto mais alto o local, maior o desconforto e o organismo requer um período de adaptação para estabilizar-se. Exemplos de destinos que pode causar tais sintomas mais intensos são: Cusco (Peru), La Paz (Bolívia), Lhasa (Tibet), mas locais menos altos também podem acarretar sintomas.

O período de acomodação do organismo se chama aclimatação e compreende, no mínimo, 3-5 dias, melhorando as condições de sono e bem estar, embora o exercício físico exija maior tempo para se alcançar tal conforto ( em média 07-08 dias).

 

Existem diferenças na adaptação de viajantes que dependem de características genéticas e ambientais, além do preparo físico, idade e condições crônicas de saúde, por isso é importante passar por avaliação física antes de planejar o itinerário, determinando os possíveis riscos.

 

É comum um aumento da frequência respiratória durante a aclimatação e não se devem utilizar medicamentos sem prescrição médica, pois podem diminuir a ventilação pulmonar, necessária para este período. 

 

Atletas e turistas de aventura

A subida a estas regiões deve ser lenta e gradual e deve ser efetuada com acompanhamento de profissionais especializados (inclusive profissionais de saúde), sendo arriscado escalar sem tal assistência e desconhecimento das condições  climáticas. 

 

Ingestão de bebidas alcoólicas & altitude

Deve ser evitada pelo menos nas primeiras 48 h e o mesmo se aplica para exercícios físicos leves

 

Se a altitude for maior que 9.000 pés, o viajante deve permanecer no mínimo 02 noites no local antes de planejar a subida.

A consulta de medicina de Viagem é importante pois pode auxiliar na avaliação de riscos,  prevendo o surgimento de problemas, auxiliando o viajante através de orientações, prescrições de medicamentos, estabilizando condições clínicas preexistentes. 

 

Gestantes, portadores de cardiopatias, diabéticos, portadores de anemia falciforme são exemplos de viajantes que requerem cuidados médicos prévios.

 

 

Problemas mais comuns relacionados à altitude

  • Cansaço: ocorre em 25% dos casos , além de dor de cabeça, perda de apetite, náusea e ocasionalmente vômitos podem ocorrer, sendo mais comuns nas primeiras 2-12 h após a chegada ( preferencialmente ocorrem à noite). 

Crianças pequenas ter irritação e palidez. Tais problemas se resolvem em torno de 24-72 h de aclimatação.

Pessoas com problemas crônicos de saúde 

Embora possam raramente ocorrer, o edema cerebral, o edema pulmonar, alterações da marcha e equilíbrio (ataxias), são complicações graves que podem acometer pessoas com condições clínicas pré-existentes e requerem acompanhamento com profissional médico  particular em conjunto com o médico de viagem.

Embora não haja estudos sobre trabalho de parto prematuro em gestantes que se expõem a altas altitudes, recomenda-se que não ultrapassem 12.000 pés.


BIBLIOGRAFIA
Hackett P. High altitude and common medical conditions. In: Hornbein TF, Schoene RB, editors. High Altitude: an Exploration of Human Adaptation. New York: Marcel Dekker; 2001. p. 839–85.

  1. Hackett P, Roach R. High-altitude medicine. In: Auerbach PS, editor. Wilderness Medicine. 5th ed. Philadelphia: Mosby Elsevier; 2007. p. 2–36.
  2. Hackett PH, Roach RC. High altitude cerebral edema. High Alt Med Biol. 2004 Summer;5(2):136–46.
  3. Hackett PH, Roach RC. High-altitude illness. N Engl J Med. 2001 Jul 12;345(2):107–14.
  4. Johnson TS, Rock PB, Fulco CS, Trad LA, Spark RF, Maher JT. Prevention of acute mountain sickness by dexamethasone. N Engl J Med. 1984 Mar 15;310(11):683–6.
  5. Luks AM, McIntosh SE, Grissom CK, Auerbach PS, Rodway GW, Schoene RB, et al. Wilderness Medical Society consensus guidelines for the prevention and treatment of acute altitude illness. Wilderness Environ Med. 2010 Jun;21(2):146–55.
  6. Luks AM, Swenson ER. Medication and dosage considerations in the prophylaxis and treatment of high-altitude illness. Chest. 2008 Mar;133(3):744–55.
  7. Maggiorini M, Brunner-La Rocca HP, Peth S, Fischler M, Bohm T, Bernheim A, et al. Both tadalafil and dexamethasone may reduce the incidence of high-altitude pulmonary edema: a randomized trial. Ann Intern Med. 2006 Oct 3;145(7):497–506.
  8. Pollard A, Murdoch D. The High Altitude Medicine Handbook. 3rd ed. Abingdon, UK: Radcliffe Medical Press; 2003.

Pollard AJ, Niermeyer S, Barry P, Bartsch P, Berghold F, Bishop RA, et al. Children at high altitude: an international consensus statement by an ad hoc committee of the International Society for Mountain Medicine, March 12, 2001. High Alt Med Biol. 2001 Fall;2(3):389–403.