INFECÇÃO PELO HPV

 

A infecção pelo Papilomavírus humano - HPV - é uma doença sexualmente transmissível, altamente contagiosa.

 

Sua transmissão pode ocorrer através da pele, boca, ânus, e genitais, além de equipamentos contaminados.  É considerada uma das mais frequentes causas de câncer em homens e mulheres, principalmente adultos.

 

Além disso, o HPV também causa verrugas genitais e papilomatose respiratória recorrente,  que acomete o trato respiratório de filhos nascidos de mães infectadas. Trata-se de uma doença extremamente agressiva e mutilante  acarretando a perda da voz, insuficiência respiratória  e um grave estigma psicológico. O acometimento pulmonar por verrugas ocorre em 3,3% dos pacientes e pode evoluir para o câncer em 0,5%, relacionado, principalmente ao sorotipo 11.

 

HPV E O CÂNCER
 

A despeito de inúmeras estratégias preventivas, a infecção por HPV ainda permanece com uma alta morbi-mortalidade. Anualmente, mais de 500.000 mulheres são diagnosticadas com câncer de colo do útero e mais de 260.000 morrem pela doença. 
Tanto homens como mulheres apresentam maior incidência decâncer pelo HPV entre as faixas etárias de 30 a 59 anos.

Os sorotipos de HPV que mais se relacionam ao câncer são os 16 e 18.

 

COMO PODE SER DIAGNOSTICADAS AS VÁRIAS FORMAS DE CÂNCER PELO HPV?
 

  • Mulheres devem realizar anualmente o exame de papanicolau e colposcopia com biópsia para o diagnóstico de câncer de vagina, vulva e colo do útero
  • Homens sexualmente ativos também devem se consultar com urologistas anualmente, para a prevenção do câncer de pênis, ânus e reto.
  • Pessoas que fazem sexo oral devem procurar otorrino e dentista regularmente para o diagnóstico e prevenção do câncer de boca, garganta e cabeça e pescoço.

 

CÂNCER ORAL E DE CABEÇA E PESCOÇO
 

O HPV é, atualmente, o principal responsável pelo câncer de cabeça e pescoço, 4 vezes mais comum em homens que mulheres e relacionado a sexo oral. Antigamente, o fumo era o principal fator.

 

CÂNCER DE COLO DO ÚTERO
 

Ainda é considerado o mais frequende tipo de câncer pelo HPV e tem uma alta mortalidade em todo o mundo, assim como o câncer de vagina e vulva. 

 

CÂNCER DE ÂNUS E RETO
 

O Papilomavírus humano acomete tanto homens como mulheres e é precursor do carcinoma de ânus e reto, mesmo em heterosexuais.

 

CÂNCER DE PÊNIS

Quase metade dos carcinomas de pênis são causados pelo HPV que podem estar ou não relacionados à presença de condiloma (verruga genital). Muitos desenvolvem o câncer mesmo sem ter verrugas.

 

 

VACINA CONTRA HPV

 

A vacinação contra HPV teve início entre 2006 e 2007 com duas vacinas:


Vacina HPV Bibalente (sorotipos 16 e 18): dá proteção contra o câncer do colo do útero, vulva e vagina.

Vacina HPV Quadrivalente (sorotipos 6,11,16 e 18): protege contra o câncer do colo do útero, vagina, vulva, ânus e reto, além de oferecer proteção contra verrugas genitais.

 

Ambas são compostas de partículas virais L1vírus Like (VLPs) e não contêm vírus vivos, por isso não há risco algum das vacinas causarem a doença.

Uma vacina nonavalente - MSD ainda não tem licença para ser utilizada no brasil. 

 

DOSES DAS VACINAS CONTRA HPV

 

Vacina contra os sorotipos 16/18: indicadas três doses com os seguintes intervalos: 0 - 01- 06 meses.

Vacina com sorotipos 6/11/16/18:

 

  • Maiores de 15 anos e adultos: têm indicação de três doses com os seguintes intervalos: 0 - 02 - 06 meses (mulheres têm recomendação, em bula até 45 anos de idade e homens, até 26 anos de idade). Ambos, sob indicação médica, podem ser vacinados em qualquer idade.
     
  • Adolescentes e pré-adolescentes, dos 09 aos menores de 14 anos, 11 meses  e  29 dias: devem receber 02 doses (0 - 6 meses).
     

O mecanismo de proteção daa vacinas HPV é mediado por anticorpos e estudos demonstraram uma  maior efetividade em adolescentes que ainda não iniciaram sua sexualidade,  mas pessoas de faixas etárias superiore também têm indicação absoluta da vacina, inclusive aquelas que são portadoras do vírus.
 

SEGURANÇA E EFICÁCIA DAS VACINAS HPV

As vacinas contra HPV são seguras e e eficazes.
Seus eventos adversos são pouco frequentes e leves podendo ocorrer  dor leve a moderada no local da aplicação.

Muitos adolescentes e seus pais, devido à divulgação sem evidência, que é veiculada em redes sociais, com receio de reaçã0 reação, deixam de vacinar e isso tem aumentado a incidência de HPV em todas as idades.

As pesquisas são unânimes em confirmar segurânca e eficácia da vacina HPV. A dor no momento da aplicação é perfeitamente tolerável e alguns minutos após a vacinação ela desaparece. Alterações neurológicas não floram confirmadas.

Adolescentes e adultos jovens, devido ao medo de injeção, podem apresentar palidez, tontura e até desmaios que não são relacionados à vacina HPV, mas sim por efeito psicogênico.

 

Um estudo desenvolvido na cidade de Nagóia, Japão entre 2010 e 2013 , utilizando a vacina de HPV quadrivalente no programa nacional de imunização,  comprovou, após vacinar 77.177 adolescentes, que a vacina é perfeitamewnte segura. Foi investigado a presença de 24 sintomas e não se confirmou a ocorrência de nenhum destes, em nenhuma das adolescentes vacinadas. 

O estudo japonês concluiu que, uma interpretação errônea de eventos ou informações, por parte da população humana, pode acorrer em risco à saúde desta população, que deixará de se proteger contra uma doença grave, como o câncer pelo HPV.

Esse estudo e inúmeros outros quebram o paradigma de que a vacina de HPV possa ser reatogênica.

 

PROTEÇÃO DAS VACINAS DE HPV

A maior parte do estudos de imunogenicidade comprovam uma proteção de 90 a 97% para por mais de 4 anos, em adolescentes e de 80 a  90% em adultos.

 

QUEM PODE TOMAR A VACINA DE HPV?

Todas as pessoas a partir de 9 anos de idade, independente do gênero, mesmo sendo portadoras do vírus.

 

PESSOAS IDOSAS TÊM RISCO DE DESENVOLVER O CÂNCER PELO HPV?
 

Sim, independente da idade. Atualmente, com uma maior longevidade, muitas pessoas estão se relacionando sexualmente por muito tempo e , infelizmente não têm consciência sobre o risco de desenvolverem doenças sexualmente transmissíveis. A vacinação pode evitar que desenvolvam infecções pelo HPV e consequentemente o câncer.

 

O USO DA CAMISINHA PREVINE O CÂNCER PELO HPV?
 

Infelizmente não. O Papilomavirus pode ser transmitido através da pele de regiões próximas aos genitais, mesmo com a camisinha, e o mesmo pode ocorrer por sexo oral e manipulação de genitais ou pele contaminada.



QUEM É PORTADOR DO VÍRUS E JÁ TEVE OU TEM VERRUGAS GENITAIS OU ANAIS PODEM TOMAR A VACINA?
 

Sim, devem ser vacinados para se protegerem do câncer pelo HPV. Verrugas podem ser tratadas e até têm rescidivas e a vacinação previne que as lesões evoluam para o câncer.

 

DEVEMOS TRATAR E  VACINAR OS PARCEIROS SEXUAIS?

Sim, para diminuir a transmissão e prevenir o câncer, ambos os parceiros devem ser vacinados.

 

QUEM JÁ DESENVOLVEU O CÂNCER DE COLO DO ÚTERO PODE TER BENEFÍCIO COM A VACINA?
 

Sim. Dependendo do estágio de evolução do câncer, ainda é possível evitar que ele evolua para estágios mais avançados.
Um estudo com a vacina bivalente, demonstrou a redução da evolução do cancer de colo do útero, mesmo quando este já está em estágio NIC III.

PESSOAS COM DOENÇAS AUTOIMUNES OU QUE FAZEM USO DE TRATAMENTO IMUNOSSUPRESSOR PODEM SER VACINADOS CONTRA HPV?


Sim. As vacinas não são compostas de miroprganismos vivos e devem fazer parte do calendário de vacinação de adultos com doenças auto-imunes. Portadores de Lúpus, têm 02 vezes mais risco de desenvolver a infecção e câncer por HPV que a populaçãop geral, segundo vários estudos publicados, tendo indicação da vacina. A vacinação  está indicada, idealmente, antes de se iniciar tratamento imunossupressor ( corticóides, biológicos ou quimioterapia), mas o médico é que deve avaliar o momento e de  vacinar seus pacioentes, de acordo com a dose e o tempo de uso desses medicamentos.

 

OUTROS BENEFÍCIOS DA VACINAÇÃO CONTRA HPV
 

Imunidade de rebanho: a vacinação contra HPV diminui a transmissibilidade dos vírus, mesmo em populações que ainda não receberam a vacina.

Pesquisa desenvolvida na Nova Zelandia avaliou 31.000 gestantes vacinadas e não vacinadas contra o HPV antes da gestação.
Observou-se que, aquelas mulheres que tinham sido vacinadas contra HPV, antes de engravidar, tiveram menor incidência de trabalho de parto prematuro em 13%.

 

Referências bibliográficas

 

1. Association of prior HPV vaccination with reduced preterm birth: A population based study

Beverley Lawton a,⇑, Anna S. Howe b, Nikki Turner b, Sara Filoche c, Tania Slatter d, Celia Devenish e, Noelyn Anne Hung d

a Centre for Women’s Health Research, Faculty of Health, Victoria University of Wellington, New Zealand
b Department of General Practice and Primary Care, University of Auckland, New Zealand
c Department of Obstetrics and Gynaecology and Department of Pathology and Molecular Medicine, Department of Obstetrics and Gynaecology, University of Otago, Wellington, New Zealand
d Department of Pathology, University of Otago Dunedin School of Medicine, University of Otago, New Zealand
e Children’s and Women’s Health, University of Otago Dunedin School of Medicine, University of Otago, New Zealand

Vaccine 36 (2018) 134–140

 

2. Mitsumoto GL, Del Carlo Bernardi F, Paes JF, Villa LL, Mello B, Pozzan G. Juvenile-onset recurrent

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4-The health impact of human papillomavirus vaccination in the situation of primary human papillomavirus screening: A mathematical modeling study.

Matthijsse, Suzette M; Naber, Steffie K; Hontelez, Jan A C; Bakker, Roel; van Ballegooijen, Marjolein; Lansdorp-Vogelaar, Iris; de Kok, Inge M C M; de Koning, Harry J; van Rosmalen, Joost; de Vlas, Sake J.

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5. Park, Minah; Jit, Mark; Wu, Joseph TCost-benefit analysis of vaccination: a comparative analysis of eight approaches for valuing changes to mortality andmorbidity risks. BMC Med; 16(1): 139, 2018 Sep 02

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7. Mitsumoto, Gabriel Lorente; Bernardi, Fabiola Del Carlo; Paes, Juliana Fracalossi; Villa, Luisa Lina; Mello, Barbara; Pozzan, Geanete. Juvenile-onset recurrent respiratory papillomatosis with pulmonary involvement and carcinomatous transformation. Autops. Case Rep; 8(3): e2018035, July-Sept. 2018. ilus

8. Perkins, Rebecca B; Fisher-Borne, Marcie; Brewer, Noel TEngaging parents around vaccine confidence: proceedings from the National HPV Vaccination Roundtable meetings.  Hum Vaccin Immunother; 2018 Sep 06.
9. Cimino-Mathews, Ashley; Sharma, Rajni; Illei, Peter BDetection of human papillomavirus in small cell carcinomas of the anus and rectum. Am J Surg Pathol; 36(7): 1087-92, 2012 Jul.

 

10. SadaoSuzuAkihiroHosono No association between HPV vaccine and reported post-vaccination symptoms in Japanese young women: Results of the Nagoya study.  https://doi.org/10.1016/j.pvr.2018.02.002

Papillomavirus Research Volume 5, June 2018, Pages 96-103

HEPATITES VIRAIS PODEM CAUSAR CÂNCER DE FÍGADO E CIRROSE.

 

PREVENÇÃO DO CÂNCER DEVIDO A  HEPATITES DE TRANSMISSÃO SEXUAL

 

Na revista científica o The Lancet, Jeffrey Stanaway  e colaboradores publicaram recentemente, um estudo sobre a morbidade e a mortalidade global das hepatites virais de 1990 a 2013. 

A conclusão desta análise demonstrou cerca de 1.45  milhões de mortes (95% de IC: 1.38–1.54) in 2013, ou seja, 63% (95% de IC; 52–75) , quando comparado com a estimativa de 1990  em que a mortalidade era de 0.89 milhões.

 

Tanto a morbidade quanto a mortalidade por hepatites virais têm aumentado progressivamente e isso se refere principalmente às hepatites B e C (96% e 91% respectivamente). Tais vírus causam infecção crônica, com insuficiência hepática, evoluindo para a cirrose e o carcinoma hepato celular, ou seja, o câncer.

 

A Hepatite B é determinada, principalmente, através de relações sexuais e a hepatite C, através de contato sanguíneo.

Quanto à hepatite A, pensava-se, até pouco tempo, que sua transmissão ocorresse mais comumente, por ingestão de água e alimento contaminados, hoje se sabe que também tem sido transmitida através de contato sexual oral, acometendo várias regiões do planeta. 

 

Essa é uma das maiores preocupações da Organização Mundial de Saúde e que estas situação global requer medidas de urgência, tanto nacionais quanto internacionais, para a prevenção de novas infecções (vacinação, hábitos de vida seguros e redução do risco) além da melhora do tratamento de 400 milhões de pessoas com hepatite B e C em todo o planeta.

 

 


META DA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE:
REDUÇÃO DE NOVOS CASOS DE HEPATITES E MORTES DEVIDO A HEPATITES CRÔNICAS B E C: ENTRE 2016 E 2030

 

A OMS tem como meta a redução de novas infecções em 90% e de mortes em 65% através dos tópicos::

 

1. Aumentar a vacinação infantil
2. Prevenir a transmissão materno-infantil
3. Conscientizar quanto ao uso de seringas e equipamentos seguros
4. Redução do índice de risco em serviços de saúde
5. Melhor diagnóestico e tratamento

 

Existe vacina contra hepatite B e também contra hepatite A, mas ainda o índice de imunização global continua insatisfatório. A implementação global e regional de programas de vacinação e a conscientização de que a vacina pode evitar as complicações da doença ainda deixam a desejar.

 

HEPATITE B E A TRANSMISSÃO MATERNO-FETAL

A hepatite B  ainda acomete milhares de brasileiros e muitas mulheres infectadas ainda transmitem o vírus B a seus fetos, durante a gestação. Embora haja vacina disponível em todo o país, muitos ainda não são vacinados. Uma gestante infectada, muitas vezes não sabe que está doente, pois permanece assintomática durante muitos anos.

Através da circulação placentária, os vírus B da hepatite (e também os C) são transferidos ao feto com grande possibilidade de já nascerem com insuficiência hepatica e evoluírem para a cirrose e o câncer de fígado nos primeiros meses de vida.

Essa realidade, infelizmente ainda ocorre em todo o planeta e também no Brasil.

 

 

REFERÊNCIAS

1-Hepatitis B virus infection.

Yuen, Man-Fung; Chen, Ding-Shinn; Dusheiko, Geoffrey M; Janssen, Harry L A; Lau, Daryl T Y; Locarnini, Stephen A; Peters, Marion G; Lai, Ching-Lung.

Nat Rev Dis Primers; 4: 18035, 2018 Jun 07.

2-Prevalence and Risk Factors for Hepatitis B Virus Infection in Roma and Non-Roma People in Slovakia.

Drazilova, Sylvia; Janicko, Martin; Kristian, Pavol; Schreter, Ivan; Halanova, Monika; Urbancikova, Ingrid; Madarasova-Geckova, Andrea; Marekova, Maria; Pella, Daniel; Jarcuska, Peter.

Int J Environ Res Public Health; 15(5)2018 May 22.

3-Global prevalence, treatment, and prevention of hepatitis B virus infection in 2016: a modelling study.

Lancet Gastroenterol Hepatol; 3(6): 383-403, 2018 Jun.

4-Fraction and incidence of liver cancer attributable to hepatitis B and C viruses worldwide.

Maucort-Boulch, Delphine; de Martel, Catherine; Franceschi, Silvia; Plummer, Martyn.

Int J Cancer; 142(12): 2471-2477, 2018 Jun 15.

 

5-http://www.who.int/hepatitis/strategy2016-2021/portal/en/

 

 

DRA. MARIA DO CARMO DUARTE OLIVEIRA
MÉDICA RESPONSÁVEL TECNICA
CLÍNICA DE VACINAS IMUNITY